domingo, 21 de junho de 2009
Documento onde há menção ao nome de Francisco Dionísio Fortes de Bustamante.
No seu segundo memorial, os índios pediam fôssem os terrenos demarcados na forma da lei, para que se evitassem novas violências e que sôbre as terras que excedessem fôsse imposto o pagamento de foros, exigidos àqueles que, futuramente, quisessem cultivar. Insistiam também os suplicantes — como se vê no documento acima — na nomeação de outro diretor dos índios, para a sua proteção e direção. Decorrido algum tempo, sem que tivesse qualquer solução o caso atinente à devolução das terras furtadas aos índios, os Coroados, por seu procurador Francisco Dionísio Fortes de Bustamante, novamente apelavam para a Sua Majestade: — “Senhor. Dizem os indios Coroados da aldêa de Valença, freguezia de Nossa Senhora da Gloria, entre o Rio Preto e Parahyba, comarca d’esta cidade e côrte que ha mais de 15 annos que os supplicantes foram aldeados por seu director o fallecido José Rodrigues da Cruz, de ordem de vossa magestade. “Era o districto que hoje occupam antiga morada dos supplicantes, e depois que reconheceram a vossa magestade por seu soberano foi-lhes demarcado terreno para cultivarem, e d’onde tirassem a sua subsistência; foram-lhes igualmente facilitados outros meios de dinheiros, viveres e tabaco de fumo, tudo á custa da real fazenda; mandaram-se-lhes abrir caminhos para o interior do sertão, e ultimamente tiveram a dita de lhes ser dado um parocho, para os instruir e guiar pelo caminho da fé e da religião como mostra o documento N. 1. “Tudo assim correu bem a favor dos supplicantes emquanto lhes assistiu aquelle expressado director. Falleceu este, e desde esse tempo teem os supplicantes sido perseguídos com toda a sorte de vexação; são todos em menos preço por aquelles visinhos e por elles roubados, como se vê da carta N. 2, e ultimamente esbulhados do terreno que lhes fôra mandado dar por vossa magestade por Eleuterio Delphim e outros, que a titulo de inculto obrepticia e sobrepticiamente o obteve de sesmaria com tão notoria violencia dos supplicantes que nem o terreno mesmo immediato á igreja lhes deixaram. “Representaram já os supplicantes uma vez á vossa magestade immediatamente e instruiram o que allegam com documentos; mas foi o primeiro d’aquelles requerimentos mandado a informar ao dezembargador ouvidor da comarca em 5 de Março e o 2o a 18 de julho, e ainda não foram deferidos. “E porque todo o mal vem aos supplicantes de não terem nem director nem procurador n’esta cidade que promovam os seus interesses, nem elles o podem fazer por si, porque não sabem fallar portuguez, e aos supplicantes se segue gravissimo prejuizo na demora, porque lhes vae passando o tempo de fazerem suas roças, sem as quaes não podem subsistir: “Pedem a vossa magestade que por effeitos de soberana commíseração se digne fazer-lhes a mercê de lhes mandar nomear por director o capitão Miguel Rodrigues da Costa; e restituir o terreno que lhes foi indevidamente tirado pelo expressado Eleuterio Delphin e outro:. E.R.M. — Francisco Dyonisio Fortes de Bustamante.” (23) (23) Rev. do Inst. Hist. e Geogr. do Brazil — pág. 524 — N. 15 — 1854. VALENÇA ALDEIA, Iório, Leoni.
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